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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Benefícios da Educação Musical



Artigo da Profa. Kátia Rodrigues

A educação musical é pouco valorizada e difundida no Brasil, mas é de fundamental importância no desenvolvimento do indivíduo. Os gregos sabiam muito bem e valorizavam este conhecimento como princípio formador do ethos de uma sociedade. Ethos significa valores, ética, hábitos e harmonia. São os traços característicos de um povo, seus costumes social e cultural.

Logo, a música faz parte da formação da identidade de um povo.

Para os gregos, a música era tão importante e universal quanto o próprio idioma. Ela era um componente responsável por “direcionar a conduta moral, social e política de cada indivíduo” (NASSER, 1997).

A neurociência usa o termo “funções musicais” para designar “um conjunto de atividades cognitivas e motoras envolvidas no processamento da música.” (BALLONE, 2010).  O estudo da música favorece conexões entre neurônios relacionados aos processos de memorização, atenção, raciocínio e matemática.

Poderíamos ainda citar o cultivo da disciplina no estudo, uma virtude que deveria ser desenvolvida por todos nós, indivíduos integrantes de uma cultura social que não valoriza a contemplação, a paciência e a perseverança.

A música desenvolve o trabalho em equipe. Uma só pessoa não forma uma orquestra, banda ou um coro, mas cada um tocando e cantando em seu momento forma o conjunto onde o espectro sonoro se completa.

A música expressa sentimentos que podem não ser bem expressos em palavras, mas quando estes sentimentos são tocados ou entoados falam direto ao coração.

A prática da música ensina e dá coragem para que os alunos ultrapassem medos e assumam riscos. Por muitas vezes em nossa vida lidamos com medos e ansiedades. Encará-los e superá-los podem nos levar a ter uma vida mais saudável.

Os benefícios são inúmeros tanto para a sociedade  quanto para cada indivíduo, seja crianças, jovens, adultos ou idosos. Este é o convite: cantando ou tocando estude e pratique música!

Referências
BALLONE, GJ - A Música e o Cérebro - Disponível em: www.psiqweb.med.br, 2010.
NASSER, NAJAT. O Ethos na Música Grega. Boletim do CPA, Campinas, nº 4, jul./dez. 1997. 

Vi primeiro no Blog Ter Fé é Não Ter Limites
Veja também: O cérebro musical

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O cérebro musical

Ao nascer, um bebê é capaz de ouvir e identificar as nuances entre fonemas de todas as línguas. Entre o sétimo e o décimo mês de vida, porém, os sons articulados pela criança já correspondem a fonemas da língua materna. Com 1 ano de vida, a criança perdeu muito a capacidade de identificar sons diferentes dos de sua língua nativa, diz o neurologista Luiz Celso Vilanova. Os bebês ficam como que surdos para sons ausentes de sua língua familiar. Na medida em que os circuitos neurais vão-se ligando, para, por exemplo, a língua portuguesa, a criança tem menos facilidade de identificar fonemas característicos de outras línguas.

A pesquisadora americana Patricia Kuhl, da Universidade de Washington encontra assim a explicação para a dificuldade de se adquirir uma segunda língua sobretudo após os 10 anos de idade. Aprender, aprende, afirma Erasmo Casella, neurologista infantil do Hospital das Clínicas de São Paulo. Mas sempre com sotaque. Até o terceiro ano de idade, afirma o doutor Muszkat, a facilidade na aquisição de línguas estrangeiras é até quatro vezes maior do que entre os adultos. Não é à toa que o ensino de inglês para bebês de 1 ano tornou-se relativamente comum entre famílias abastadas. As mães não precisam mais pegar-se em dúvidas sobre colocar a meninada em escolas onde a tia virou teacher. Cientificamente, portanto, está provado: é mais fácil começar a aprender um idioma estrangeiro na primeira infância.

A música é um dos estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro. A janela de oportunidades musical abre-se aos 3 e fecha-se aos 10 anos. Não por acaso, conhecem-se tão poucos concertistas que se tenham iniciado no aprendizado musical depois de iniciada a adolescência. Em outubro de 1995, pesquisadores da Universidade de Konstanz, na Alemanha, estudaram o cérebro de nove músicos destros, do naipe das cordas de uma orquestra local. Graças ao exame de ressonância nuclear magnética, perceberam que as porções cerebrais relacionadas aos movimentos do polegar e do dedo mindinho da mão esquerda eram maiores do que entre os não músicos. Nessa diferença, não importava a quantidade de horas dedicadas ao estudo musical, e sim, em que idade eles haviam sido apresentados aos instrumentos - sempre cedo.

Mas a música não serve apenas para incentivar as crianças a ler uma partitura, apreciar um concerto, mais tarde, e quem sabe evitar que se tornem metaleiras insuportáveis. É capaz de imprimir no cérebro a compreensão da melodia das próprias palavras. Aos 8 anos, o poeta inglês W.H. Auden (1907-1973) era submetido a sessões operísticas intensas por sua mãe, Constance Rosalie. Ela gostava especialmente de Tristão e Isolda, de Wagner, e reproduzia com Auden os duetos da obra. Estaria aí uma possível explicação para a extraordinária musicalidade dos poemas de Auden, feitos mais para ser lidos em voz alta.

A divisão melódica das obras clássicas exige um tipo de automatismo matemático acurado. Essa seria a razão por que as conexões nervosas acionadas ao se executar uma peça estejam tão próximas, no córtex cerebral esquerdo, daquelas usadas ao se fazer uma operação aritmética ou lógica. A música relaciona-se ainda a outros dons, como a capacidade de percepção de sons sutis. Alunos de medicina habituados a ouvir música clássica têm maior facilidade para auscultar corações e pulmões. Gordon Shaw e Frances Rauscher, da Universidade da Califórnia, num trabalho com dezenove pré-escolares, descobriram que, após oito meses de aulas de piano e canto, as crianças se saíram muito melhor na cópia de desenhos geométricos do que as que não tiveram aulas de música. Os pequenos músicos eram melhores na percepção espacial e muito mais eficiente, por exemplo, no jogo de quebra-cabeça.
Mozart neles, então.
E rápido.

Fonte
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