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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A morte na panela

"Eliseu voltou a Gilgal. E havia fome na terra; e os filhos dos profetas estavam sentados na sua presença. E disse ao seu moço: Põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas.
Então um deles saiu ao campo a fim de apanhar ervas, e achando uma parra brava*, colheu dela a sua capa cheia de colocíntidas* e, voltando, cortou-as na panela do caldo, não sabendo o que era.
Assim tiraram de comer para os homens. E havendo eles provado o caldo, clamaram, dizendo: Ó homem de Deus, há morte na panela! E não puderam comer.
Ele, porém, disse: Trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: Tirai para os homens, a fim de que comam. E já não havia mal nenhum na panela".
II Livro dos Reis 4.38-42

O texto é por demais conhecido e muito pregado nas igrejas, especialmente pelos simbolismos e analogias que nele encontramos; Apesar disto, não posso deixar de pensar que este pode explicar muito dos absurdos que vemos hoje no dito meio evangélico brasileiro.


1 - Havia fome na terra. A terra era Gilgal, onde havia uma escola de profetas, local atuação de Elias e agora de Elizeu, o que não isentou os santos de sofrerem com a calamidade. E quem é que disse que não passaríamos por dificuldades e problemas? Jesus afirmou "no mundo tereis aflições..." (Jo 16.33). Aliás, sem ser sádico e muito menos masoquista, o sofrimento é por vezes a maneira mais eficaz de sermos moldados por Deus. Salomão dizia: "a tristeza do rosto torna melhor o coração" (Ecl 7.3), mas isso é um outro assunto. O fato é que sempre haverá fome na terra e especificamente essa fome de Deus, das coisas espirituais. Jesus vendo a multidão, já ao final do dia, disse aos discípulos: "Dai-lhes vós de comer" (Lc 9.13). Está sob responsabilidade de Igreja prover o mundo da comida espiritual que é a Palavra de Deus. Veja que diante das circunstâncias não faltou a atitude do profeta em pedir para ser colocada a panela no fogo - mesmo sem ter ainda algo para cozinhar - e sugerir que se fizesse um caldo de ervas para que os filhos dos profetas se alimentassem.


2 - Um deles. O texto é claro ao afirmar que "um deles" saiu ao campo para buscar ervas; Não foi um estranho quem trouxe as parras bravas para a panela. Era alguém conhecido e do ofício dos profetas. Temos visto inseridas em algumas pregações, predominantemente as televisivas e/ou gravadas, incitações a contendas, heresias das brabas mesmo, ataques à doutrina e aos costumes primitivos, pregadores cuspindo no prato onde outrora comeram e também comendo com porcos, tudo isso alcançando uma enorme massa de ouvintes. Abraçam o que se deve rejeitar e passam uma imagem forte de que não há perigo em algumas alianças ou experimentar novos e desconhecidos temperos. Pois é. Triste o constatarmos que aprendizes de profetas e profetas vem divulgando com mais fervor a teologia da prosperidade, participando de grandioso encontros nacionais de r-é-t-é-t-é onde aberrações são vistas, toleradas e até incentivadas em nome do mover do Espírito Santo, importando e depois implantando em igrejas modelos impróprios e até malígnos, defendendo abertamente práticas sexuais anormais entre um casal para estimular o relacionamento, levando líderes e igrejas à agregarem-se ao "novo ministério " com multiplicação exponencial de apóstolos, paipóstolos, vice-deuses e outras configurações mais. Já ouviu falar da unção do riso, da galinha, do leão, tocar o shofar, de danças, festivais, verões gospel, arca da aliança paraguaia, raves, pagodes, boates e baladas "evangélicas"? Seriam por acaso esses profetas filiados a alguma agremiação do mundão? Infelizmente, são figurinhas que todos conhecemos e que já vimos pregar tantas vezes. Eram dos nossos, talvez até com boas intenções de prover alimento, mas faltava-lhes uma coisa. Não é por acaso aque inda hoje lemos o elogio bíblico aos irmãos da Beréia, que apesar do prestígio de receberem ninguém menos que o apóstolo São Paulo para pregar-lhes, conferiam diariamente nas Escrituras o que este lhes ensinava para ver "se as coisas eram assim" (At 17.11). Oremos por nossos líderes; Eles, mais que qualquer um membro, necessitam de nossas orações para que não tropessem, senão o estrago é grande.


3 - Ele não sabia o que era aquilo. Aquele profeta (possivelmente um jovem aprendiz) não sabia discernir o que era bom para comer e dar de comer. Saiu para buscar ervas e achando algo diferente, colocíntidas, agradáveis aos olhos mas desconhecendo o mal que poderiam fazer, touxe uma capa cheia delas, cortou-as e pôs na panela do caldo. O que falta é discernimento. Toda novidade é implantada sem um mínimo de reflexão pois o negócio é o agora. Mata a fome do povo com modismos e heresias e depois quem comeu vai para o hospital ou para o cemitério. Que consequências verei se permitir a implantação do modelo X? Não estarei abrindo as guardas para o ingresso de heresias? O rebanho de Deus que me foi confiado estará em perigo? Isto fere a sã doutrina e os bons costumes? O cantor Y pode cantar no púlpito de minha igreja? Como é a vida dele? Que exemplo dá e como influencia as ovelhas mais jovens? O que tem pregado tal pastor, apesar de sua longa lista de credenciais, cargos, cruzadas, dvds e cds gravados? Infelizmente muitos "jovens" obreiros - às vezes não tão jovens assim - no intento de agradarem ao povo, de proverem novidades e de ajuntarem multidões, abrem a guarda e consentem parras bravas na doutrina, na liturgia, no cotidiano da congregação, falácias belas aos olhos (e ouvidos) cujo resultado é o desarranjo, a dor, a fraqueza e morte espiritual da igreja - imediata ou posterior. O que escreví não é novidade e lamento que muitos critiquem alguns pastores ditos ortodoxos (ora, TODOS os pastores deveriam ser ortodoxos) pela postura austera em relação à essas coisas, que inibem a atuação de alguns falastrões em suas áreas eclesiásticas, que seguram com rédea firme o que aprenderam e conservam o modelo da Palavra de Deus.


4 - Alguém gritou. Sempre haverá alguém que gritará avisando da morte na panela. Talvez alguém mais velho e mais experiente, talvez alguém mais observador. Quem sabe, os arautos daquele dia perceberam de imediato o efeito no organismo dos mais frágeis e alertaram sobre o perigo da comida ou imediatemente ao provarem o caldo sentiram o gosto do veneno. Não puderam comer é o que diz o texto. Quem se alimenta da Palavra, do leite puro (I Pe 2.2) nunca poderá aceitar, não conseguirá engolir caldo de parras bravas. Igrejas que aprendem, que têm mais cultos de doutrina, que dão mais tempo para o ensino, que não "enrolam" seus membros com programações pouco nutritivas serão mais fortes e mais resistentes à aceitação de novo cardápio, especialmente se for de pepinos bravos. Não dá pra trocar a Palavra, o ensino, a oração, o discipulado, o evangelismo, as pregações, as consagrações, o verdadeiro serviço de música e louvor, o jejum, por programas puramente sociais. Eles podem até existir mas nunca deverão tomar o tempo e a primazia da Palavra na vida da Igreja, nem mesmo se vierem travestidos de louvorzão, cruzada, ação social ou outra coisa boa aos olhos, com ótima aparência como são as flores das colocíntidas. Alguns profetas podem ser hoje alcunhados de pro-festas de tantas invenções substutivas aos verdadeiros cultos que de fato deveriam estimular em suas igrejas. É preciso ouvir o que clamava João Batista no deserto: -Endireitai os vossos caminhos! (Mc 1.3, Jo 1.23). Graças a Deus que existem Pastores, homens que o Senhor tem levantado para gritarem contra o que se quer colocar na panela, contra o que alguns querem dar ao povo para comer pois não é qualquer um que pode, e nem que deve levantar-se contra, afinal, são todos profetas, filhos de profetas e estão todos em Gilgal.


5 - Tragam farinha. Ei, há uma solução! O homem de Deus logo percebeu o que estava acontecendo e a providência não foi outra: farinha na panela, logo! Ele mesmo deitou a farinha e ordenou que desse aos homens para comer. Tratou o mal e a farinha foi o remédio! A farinha de trigo, base da culinária daqueles tempos, é símbolo da Palavra de Deus. Ela é eficaz e penetrante (Hb 4.12), é remédio para a morte que havia na panela e somente ela, administrada ao povo, poderá reverter o quadro sombrio que paira sobre grande parte das igrejas evangélicas deste País. A Palavra transforma, liberta, vivifica, renova. A Palavra dará forças necessárias aos profetas e filhos dos profetas para continuarem o serviço, o ministério. Jesus ordenou que João escrevesse à sete igrejas que existiam na Ásia, específicamente a seus dirigentes e as recomendações entre outras diziam "arrepende-te", "torna ao primeiro amor, às primeiras obras", "adquire de mim", "lembra-te de onde caíste", "o que tens, retende até que eu venha", "Sê vigilante", "guarda o que tens", "aconselho-te", "lembra-te do que tens recebido e ouvido" (Ap 2, 3). Jesus continua falando nestes últimos dias. Quem tem ouvidos, ouça!


Não haverá a "morte da panela" pois ela precisa continuar a ser vista como fonte de alimento. Os púlpitos podem ser comparados a essas maravilhosas panelas. A morte da panela seria o extermínio da vida espiritual de uma igreja. Agora, as panelas da morte e a morte que há em algumas panelas, estas precisam ser eliminadas. Por isso é que algumas dessas Panelas precisam ser lavadas e o que é colocado para que cozinhem precisa ser verificado regularmente. Em tempo, deixo claro que está longe de mim pensar em admoestar a pastores e líderes. Quem sou eu? Guarde-me o Senhor de tal procedimento ou intenção. Peço portanto, de antemão, perdão se pareço "intrometido" em assuntos que deveriam ser puramente ministeriais mas a Palavra é a Palavra e não busco atacar quem quer que seja, não cito nomes ou explicito nem mesmo fatos de amplo conhecimento que os liguem a pessoas de referência, afinal, são separados, ungidos para um fim e prestarão contas a Deus com mais severidade.

 Silvio Araujo  


(Clique para ampliar)
* Alguns estudiosos dizem que essa parra brava, conhecida como colocíntida, era uma espécie de trepadeira ornamental, da família das cucurbitáceas - Cucurbita pepo - de flores com amarelas e frutos com manchas muito parecidos com os pepinos comestíveis que conhecemos, mas que ao serem ingeridos produzem muitas dores abdominais e têm efeito laxante muito forte. 


Texto publicado originalmente neste blog em 12/01/2010 sob título Panelada Mortal

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Terra, ó terra, ouve a palavra do Senhor - Testemunho

Há casos tão fantásticos que só mesmo sendo crente em Cristo para confirmar que o nosso Deus trabalha de forma variada para estabelecer o seu soberano propósito. Quando se conhece a voz de Deus  obedecendo-a incondicionalmente, pode-se experimentar o extraordinário.



O irmão Abdias - um homem muito humilde e sem bom vocabulário mas cheio da graça de Deus e do conhecimento da Palavra - dirigiu o culto do dia 25/04/1999 na AD em Casa Amarela, onde eu também estava cultuando, e contou-nos algumas preciosidades dentre as quais esta inusitada história:


“Numa tarde destas, o ano passado, eu estava com muita vontade de pregar e então ‘dishe’ a Jesus:

- Pra onde eu vou meu Deus?

O Senhor me 'dishe': -Saia!

Botei a Bíblia debaixo do braço e saí. Fui sendo guiado até a BR. Atravessei a pista e fui até a Mata de Dois Irmãos e me 'embrenhei' por lá. Andei um pouco e o Senhor me ‘dishe’:

- Pregue!

Aí eu parei e 'dishe':

- Pregar pra quem Senhor? Pras árvores e pros passarinhos? Não tem ninguém aqui...

- Pregue!

Aí eu comecei a pregar. Abrí a Bíblia em Jeremias 22.29 e lí bem alto:

-Terra, ó terra, ouve a Palavra do Senhor!

Foi onde eu preguei. E falei 30 minutos.

Terminei a pregação, fiz o convite, saí da mata e 'vortei' pra casa.

Pois bem, agora em janeiro eu ia no Córrego do Jenipapo e um ‘jove’ tocou no meu ombro e ‘dishe’:

-Irmão Abdias, o senhor é o meu pai na fé! Tá lembrado daquele dia em que o senhor pregou lá no meio da mata? Eu era caçador e tava 'trepado' num pé de árvore atrás de bicho e ouvi a sua pregação. Quando o senhor fez o convite, eu lá de cima levantei a mão e até hoje sou um crente salvo!”

Publicado no Lifenews Maio/99

terça-feira, 24 de maio de 2011

Me faz lembrar - Sérgio Lopes

 


Me Faz Lembrar

Quando eu tentar te esquecer e confiar no meu querer
Me faz lembrar de onde eu vim e que o Senhor me trouxe até aqui.

Quando eu tentar fazer uma canção e me faltar à mesma inspiração
Me faz lembrar que nada posso ser se da tua graça eu não depender.

Me faz lembrar daquelas madrugadas de oração e das lagrimas no chão
E que o tempo ao passar vai tentando apagar do coração.

Me faz lembrar onde eu deixei o meu primeiro amor.
Se for preciso eu vou recomeçar, mas confesso que dependo do Senhor.


Letra e música: Sérgio Lopes
Intérprete: Sérgio Lopes
Álbum: Noites e Momentos - 1998

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A morte na panela

"Eliseu voltou a Gilgal. E havia fome na terra; e os filhos dos profetas estavam sentados na sua presença. E disse ao seu moço: Põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas.
Então um deles saiu ao campo a fim de apanhar ervas, e achando uma parra brava*, colheu dela a sua capa cheia de colocíntidas* e, voltando, cortou-as na panela do caldo, não sabendo o que era.
Assim tiraram de comer para os homens. E havendo eles provado o caldo, clamaram, dizendo: Ó homem de Deus, há morte na panela! E não puderam comer.
Ele, porém, disse: Trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: Tirai para os homens, a fim de que comam. E já não havia mal nenhum na panela."
II Livro dos Reis 4.38-42

O texto é por demais conhecido e muito pregado nas igrejas, especialmente pelos simbolismos e analogias que nele encontramos; Apesar disto, não posso deixar de pensar que este pode explicar muito dos absurdos que vemos hoje no dito meio evangélico brasileiro.

1 - Havia fome na terra. A terra era Gilgal, onde havia uma escola de profetas, local atuação de Elias e agora de Elizeu, o que não isentou os santos de sofrerem com a calamidade. E quem é que disse que não passaríamos por dificuldades e problemas? Jesus afirmou "no mundo tereis aflições..." (Jo 16.33). Aliás, sem ser sádico e muito menos masoquista, o sofrimento é por vezes a maneira mais eficaz de sermos moldados por Deus. Salomão dizia: "a tristeza do rosto torna melhor o coração" (Ecl 7.3), mas isso é um outro assunto. O fato é que sempre haverá fome na terra e especificamente essa fome de Deus, das coisas espirituais. Jesus vendo a multidão, já ao final do dia, disse aos discípulos: "Dai-lhes vós de comer" (Lc 9.13). Está sob responsabilidade de Igreja prover o mundo da comida espiritual que é a Palavra de Deus. Veja que diante das circunstâncias não faltou a atitude do profeta em pedir para ser colocada a panela no fogo - mesmo sem ter ainda algo para cozinhar - e sugerir que se fizesse um caldo de ervas para que os filhos dos profetas se alimentassem.

2 - Um deles. O texto é claro ao afirmar que "um deles" saiu ao campo para buscar ervas; Não foi um estranho quem trouxe as parras bravas para a panela. Era alguém conhecido e do ofício dos profetas. Temos visto inseridas em algumas pregações, predominantemente as televisivas e/ou gravadas, incitações a contendas, heresias das brabas mesmo, ataques à doutrina e aos costumes primitivos, pregadores cuspindo no prato onde outrora comeram e também comendo com porcos, tudo isso alcançando uma enorme massa de ouvintes. Abraçam o que se deve rejeitar e passam uma imagem forte de que não há perigo em algumas alianças ou experimentar novos e desconhecidos temperos. Pois é. Triste o constatarmos que aprendizes de profetas e profetas vem divulgando com mais fervor a teologia da prosperidade, participando de grandioso encontros nacionais de r-é-t-é-t-é onde aberrações são vistas, toleradas e até incentivadas em nome do mover do Espírito Santo, importando e depois implantando em igrejas modelos impróprios e até malígnos, defendendo abertamente práticas sexuais anormais entre um casal para estimular o relacionamento, levando líderes e igrejas à agregarem-se ao "novo ministério " com multiplicação exponencial de apóstolos, paipóstolos, vice-deuses e outras configurações mais. Já ouviu falar da unção do riso, da galinha, do leão, tocar o shofar, de danças, festivais, verões gospel, arca da aliança paraguaia, raves, pagodes, boates e baladas "evangélicas"? Seriam por acaso esses profetas filiados a alguma agremiação do mundão? Infelizmente, são figurinhas que todos conhecemos e que já vimos pregar tantas vezes. Eram dos nossos, talvez até com boas intenções de prover alimento, mas faltava-lhes uma coisa. Não é por acaso aque inda hoje lemos o elogio bíblico aos irmãos da Beréia, que apesar do prestígio de receberem ninguém menos que o apóstolo São Paulo para pregar-lhes, conferiam diariamente nas Escrituras o que este lhes ensinava para ver "se as coisas eram assim" (At 17.11). Oremos por nossos líderes; Eles, mais que qualquer um membro, necessitam de nossas orações para que não tropessem, senão o estrago é grande.

3 - Ele não sabia o que era aquilo. Aquele profeta (possivelmente um jovem aprendiz) não sabia discernir o que era bom para comer e dar de comer. Saiu para buscar ervas e achando algo diferente, colocíntidas, agradáveis aos olhos mas desconhecendo o mal que poderiam fazer, touxe uma capa cheia delas, cortou-as e pôs na panela do caldo. O que falta é discernimento. Toda novidade é implantada sem um mínimo de reflexão pois o negócio é o agora. Mata a fome do povo com modismos e heresias e depois quem comeu vai para o hospital ou para o cemitério. Que consequências verei se permitir a implantação do modelo X? Não estarei abrindo as guardas para o ingresso de heresias? O rebanho de Deus que me foi confiado estará em perigo? Isto fere a sã doutrina e os bons costumes? O cantor Y pode cantar no púlpito de minha igreja? Como é a vida dele? Que exemplo dá e como influencia as ovelhas mais jovens? O que tem pregado tal pastor, apesar de sua longa lista de credenciais, cargos, cruzadas, dvds e cds gravados? Infelizmente muitos "jovens" obreiros - às vezes não tão jovens assim - no intento de agradarem ao povo, de proverem novidades e de ajuntarem multidões, abrem a guarda e consentem parras bravas na doutrina, na liturgia, no cotidiano da congregação, falácias belas aos olhos (e ouvidos) cujo resultado é o desarranjo, a dor, a fraqueza e morte espiritual da igreja - imediata ou posterior. O que escreví não é novidade e lamento que muitos critiquem alguns pastores ditos ortodoxos (ora, TODOS os pastores deveriam ser ortodoxos) pela postura austera em relação à essas coisas, que inibem a atuação de alguns falastrões em suas áreas eclesiásticas, que seguram com rédea firme o que aprenderam e conservam o modelo da Palavra de Deus.

4 - Alguém gritou. Sempre haverá alguém que gritará avisando da morte na panela. Talvez alguém mais velho e mais experiente, talvez alguém mais observador. Quem sabe, os arautos daquele dia perceberam de imediato o efeito no organismo dos mais frágeis e alertaram sobre o perigo da comida ou imediatemente ao provarem o caldo sentiram o gosto do veneno. Não puderam comer é o que diz o texto. Quem se alimenta da Palavra, do leite puro (I Pe 2.2) nunca poderá aceitar, não conseguirá engolir caldo de parras bravas. Igrejas que aprendem, que têm mais cultos de doutrina, que dão mais tempo para o ensino, que não "enrolam" seus membros com programações pouco nutritivas serão mais fortes e mais resistentes à aceitação de novo cardápio, especialmente se for de pepinos bravos. Não dá pra trocar a Palavra, o ensino, a oração, o discipulado, o evangelismo, as pregações, as consagrações, o verdadeiro serviço de música e louvor, o jejum, por programas puramente sociais. Eles podem até existir mas nunca deverão tomar o tempo e a primazia da Palavra na vida da Igreja, nem mesmo se vierem travestidos de louvorzão, cruzada, ação social ou outra coisa boa aos olhos, com ótima aparência como são as flores das colocíntidas. Alguns profetas podem ser hoje alcunhados de pro-festas de tantas invenções substutivas aos verdadeiros cultos que de fato deveriam estimular em suas igrejas. É preciso ouvir o que clamava João Batista no deserto: -Endireitai os vossos caminhos! (Mc 1.3, Jo 1.23). Graças a Deus que existem Pastores, homens que o Senhor tem levantado para gritarem contra o que se quer colocar na panela, contra o que alguns querem dar ao povo para comer pois não é qualquer um que pode, e nem que deve levantar-se contra, afinal, são todos profetas, filhos de profetas e estão todos em Gilgal.

5 - Tragam farinha. Ei, há uma solução! O homem de Deus logo percebeu o que estava acontecendo e a providência não foi outra: farinha na panela, logo! Ele mesmo deitou a farinha e ordenou que desse aos homens para comer. Tratou o mal e a farinha foi o remédio! A farinha de trigo, base da culinária daqueles tempos, é símbolo da Palavra de Deus. Ela é eficaz e penetrante (Hb 4.12), é remédio para a morte que havia na panela e somente ela, administrada ao povo, poderá reverter o quadro sombrio que paira sobre grande parte das igrejas evangélicas deste País. A Palavra transforma, liberta, vivifica, renova. A Palavra dará forças necessárias aos profetas e filhos dos profetas para continuarem o serviço, o ministério. Jesus ordenou que João escrevesse à sete igrejas que existiam na Ásia, específicamente a seus dirigentes e as recomendações entre outras diziam "arrepende-te", "torna ao primeiro amor, às primeiras obras", "adquire de mim", "lembra-te de onde caíste", "o que tens, retende até que eu venha", "Sê vigilante", "guarda o que tens", "aconselho-te", "lembra-te do que tens recebido e ouvido" (Ap 2, 3). Jesus continua falando nestes últimos dias. Quem tem ouvidos, ouça!

Não haverá a "morte da panela" pois ela precisa continuar a ser vista como fonte de alimento. Os púlpitos podem ser comparados a essas maravilhosas panelas. A morte da panela seria o extermínio da vida espiritual de uma igreja. Agora, as panelas da morte e a morte que há em algumas panelas, estas precisam ser eliminadas. Por isso é que algumas dessas Panelas precisam ser lavadas e o que é colocado para que cozinhem precisa ser verificado regularmente. Em tempo, deixo claro que está longe de mim pensar em admoestar a pastores e líderes. Quem sou eu? Guarde-me o Senhor de tal procedimento ou intenção. Peço portanto, de antemão, perdão se pareço "intrometido" em assuntos que deveriam ser puramente ministeriais mas a Palavra é a Palavra e não busco atacar quem quer que seja, não cito nomes ou explicito nem mesmo fatos de amplo conhecimento que os liguem a pessoas de referência, afinal, são separados, ungidos para um fim e prestarão contas a Deus com mais severidade.


(Clique para ampliar)
* Alguns estudiosos dizem que essa parra brava, conhecida como colocíntida, era uma espécie de trepadeira ornamental, da família das cucurbitáceas - Cucurbita pepo - de flores com amarelas e frutos com manchas muito parecidos com os pepinos comestíveis que conhecemos, mas que ao serem ingeridos produzem muitas dores abdominais e têm efeito laxante muito forte. 

Texto publicado originalmente neste blog em 12/01/2010 sob título Panelada Mortal

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Testemunhos para nossa edificação - 70 anos

Continuando a série sobre os 70 anos do Coral da Assembléia de Deus em Casa Amarela, Recife/PE, postei estes testemunhos:

Em dezembro de 1942 o jovem Rodolfo de Oliveira passava pela calçada ao lado da Congregação e ouvindo o côro cantar a música "O Clamor Divinal" do hinário "Coros Sacros", contornou o muro e adentrou ao belo templo inaugurado um ano antes.

O coro continuava a cantar:

"Ressôa o clamor divinal no vale da perdição
E brilha o fulgor do Senhor no mundo de escuridão.
Vê os montes que irão se arruinar
E a morte seus túmulos abrir
Ó homem que és vil pecador em Cristo tens teu porvir"
A harmonia e a forma com que era executado, fizeram penetrar naquele coração as palavras daquele hino. E ele mesmo diz ainda hoje que "aquilo ficou martelando em sua mente".

Não resistiu e entregou sua vida a Jesus. Hoje é pastor (jubilado) de nossa igreja e diretor de honra da ESTEADEB (Escola de Teologia da AD em PE), cargo que ocupou ativamente por muitos anos.

Ele ingressou no coral, onde conheceu a jovem que seria sua esposa e futura dirigente de Círculo de Oração. O maestro era João Vieira de Araujo. Juntos, cantaram no coral até 1954;

Outro exemplo é daquele jovem de 17 anos, magérrimo, doente dos rins e dos pulmões, que saiu de casa com uma faca na cintura para encontrar um desafeto e passando pela calçada ao lado do templo em 18/12/1955, um domingo à tarde, ouviu o som do coral que cantava:

"Não se turbe o vosso coração,
Crede em Deus, crede também em Mim
Na Casa de meu Pai há moradas, na Casa de meu Pai
Se não fosse assim eu vo-lo teria dito:
Vou preparar-vos lugar!"
Não se turbe o vosso coração! Essa era a mensagem que ele precisava. Contornou o muro e se pôs na janela do lado direito, observando coral naquela Escola Bíblica Animada, como é chamado o aniversário da EBD.

Ao final do culto, no apelo, entregou sua vida a Jesus e nós o conhecemos como o presbítero Manoel de Lima, operoso servo do Senhor. Pelas suas mãos o Senhor curou a muitos. Ingressou no coral e dedicou-se à Obra. Foi pioneiro na implantação de cultos nas praças, dentre elas a do Largo Dom Luiz e a do Horto de Dois Imãos (zoológico da nossa Cidade);

"Não se turbe" ou "Vou preparar lugar" é uma música do maestro potiguar Nestor dos Santos e foi trazida para Recife pela maestrina Odília Rodrigues, que vindo de Campina Grande, ingressou no Coral em meados de 1950.

Sendo musicista, ajudou o irmão Euclides Ferreria a ensaiar este hino em sete ensaios e no dia da estréia, 20 (vinte) almas se converteram aos pés de Cristo. O Coral de Casa Amarela foi o primeiro coro de Recife a cantar esta música que se tornou grande favorita de muitos coros e foi executada pelo Grande Coral dos 90 anos da AD em PE à pedido do Pr Ailton Alves, pastor presidente de nossa Igreja.

A irmã Odília Rodrigues regeu vários coros e hoje trabalha com os coros das congregações em Alto do Eucalipto e Visgueiro;

Manoel de Lima faleceu no primeiro semestre deste ano, não alcançando a realização da festividade, que pela primeira vez em 70 anos não foi realizada em 24 de junho, mas seu exemplo e testemunho estão bem vivos em nossa mente.

Outro exemplo de como o Senhor utilizou o coral para alcançar vidas é a história do amado presbítero José Severino. Ele era aficcionado por cinema e no bairro de Casa Amarela havia o famoso Cine Albatroz, hoje transformado em IURD, frequentado religiosamente por aquele jovem.

Um dia (19/01/1967), à caminho do cinema, na abençoada calçada ao lado do templo, ouviu o coral cantar "O Nome do Salvador".

"Um nome que me faz amar, cantar em seu louvor,
Um som mavioso ouvi soar, é o nome do Salvador.
Um nome que inspira amor, um nome que inspira amor
Um nome que inspira maor, é o nome do Salvador"
O som do Coral o atraiu e curioso para ver que grupo estava cantando aquela maravilhosa mensagem, ele entrou no templo e de lá saiu como nova criatura. Também ingressou no Coral e hoje é presbítero de nossa igreja.


Outro caso bem interessante foi o do senhor que me vendeu os paletós para o fardamento do Coral Masculino Ebénezer e para os homens do Coral de Casa Amarela quando do 60º aniverário, Sr. Berillo;

Espírita há mais de 15 anos, sempre ouvia o Evangelho pois os donos da loja eram crentes (até pastores) mas recebeu nosso convite e foi assistir ao culto de encerramento. Na ocasião, o Coro Masculino cantou um arranjo de "Escuta, batem!" e "O Salvador batendo está". O Pr Salatiel Rosa pregou a Palavra e antes do convite final, deu oportunidade ao Coral de Casa Amarela, que então cantou "Deus, grande foi o teu amor". No trecho final há uma frase que diz "Pecador te prepara pra Jesus encontrar". Ao final do hino ele levantou-se chorando e com as duas mãos erguidas, entegou-se a Cristo!

Cinco anos depois o encontrei. Havia sido batizado em águas e o Senhor o batizara com Espírito Santo e ele já havia ganho sua filha para Cristo. A última notícia que tive dele, do início deste ano, é de que continua servindo fielmente ao Senhor.

Glórias a Jesus!

Ainda hoje acontecem casos semelhantes. Me recordo que em todas as terças-feiras de janeiro de 2007 (dia de ensaio do coral), eu precisei parar o ensaio para orar por pessoas que iam passando e, ouvindo o ensaio, tiveram seu coração iluminado pelo Espírito Santo e entregaram suas vidas a Jesus.

Há muitos outros testemunhos de salvação, cura e batismo com Espírito Santo, mas estes aqui foram escritos para a nossa edificação e para que ao lerem glorifiquem o Senhor que opera conforme sua soberana vontade e sua multiforme graça!
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