segunda-feira, 22 de junho de 2009

Adeus ao maestro Yothon Gomes Marinho

Irmão Yóthon regendo coral da AD em Peixinhos-Cohab na AD em Casa Amarela - Jun/1997

Passou a estar com o Senhor o maestro Yóthon Gomes Marinho. Compositor, luthier e multi-instrumentista, este dedicado irmão trabalhou em muitos coros de nossas igrejas e atuou também em alguns períodos nas diretorias da Orquestra Sinfônica do Recife.

Suas composições são cantadas por nossos coros e são motivos de glorificação ao Nome de Jesus. Elas são extremamente expressivas e inspirativas.

O hino "Calvário", que retrata dramaticamente o sofrimento de Cristo, sua morte e ressurreição, é talvez, o mais conhecido de todos. Foi composto no final dos anos 70 especialmente para ser cantado numa festividade do Coral da AD em Águas Compridas. Lembro que quando re-ensaiei esta música no Coral da AD em Casa Amarela, há dez anos, cantamos pela primeira vez num culto de santa ceia e logo quando entoávamos as primeiras frases, Jesus batizou uma irmã com o Espírito Santo. Ela testemunha hoje que ao ouvir aquela melodia e meditar no texto, foi tomada de grande gozo e começou a falar nouras línguas.

"Jesus levou pesada cruz,
Até ao Calvário subiu
E a minha cruz Ele levou.
Levou até o fim
."

Outras músicas conhecidas são "Detalhe por detalhe" gravada pela cantora Gidaí Barbosa e sempre lembrada pelo Pr Samuel de Oliveira. "Deus onipotente", linda música coral que foi composta para o lançamento do LP "Missões", que a igreja em Abreu e Lima organizou como esforço para a obra missionária no final dos anos 80. Na época o irmão Yóthon regia o coro daquela igreja e participou regendo o grupo em duas faixas do projeto.

"O arrebatamento", "Desperta", "A fé de Abraão"... são muitas as obras deixadas por esse incansável e operante músico.

Perfeccionista, remetia à lenda do grande Arturo Toscanini na exigência com o trato vocal nos ensaios. Acredito que isto se devesse também ao fato de ter sido luthier. Muitos violinos, vioncelos, violas, baixos e até pianos foram construídos pelas mãos aparentemente frágeis de Yóthon, que pacientemente esculpia detalhes nas peças quee fabricava.

Conhecí o irmão Yóthon mais de perto há doze ou treze anos, quando o visitei. Embaixo do pé de carambola de sua casa nos assentamos, ao lado de seu Ford Corcel 1975, novíssimo, muma noite de quinta-feira. Fui procurar por suas composições para o Coro de Casa Amarela. Mesmo conhecendo meu pai, maestro Osvaldo Araujo, logo no início da conversa ele procurou saber minha formação musical e me sabatinou de tal maneira que fiquei meio "encabulado", como se diz por aqui, mas era só o teste que ele sempre aplicava aos que recebia como amigo; A conversa logo se voltou para assuntos espirituais e aquela noite marcou a todos nós que lá estávamos.

Outras visitas se sucederam, especialmente e mais freqüentemente nos últimos dois anos, quando já afastado das atividades na igreja e recluso por conta de uma grave enfermidade nos pulmões, necessitava de alguém para conversar. Sua esposa também ainda está muito enferma e acamada. Alguns outros regentes também o visitaram, às vezes em grupo. Quando isto não acontecia logo, ele ligava bravo!! Requisitava nossa presença como uma necessidade vital.

Nessas ocasiões ele nos transmitia palavras de estímulo ao trabalho do Senhor e de cuidado com nossa vida espiritual e proceder. Ele contava experiências e a história que vivenciou nos corais das igrejas em Pernambuco. Também tomava seu violino (era mestre nisso) e tocava como ninguém. Às vezes catávamos hinos da Harpa Cristã ao som de sua "flauta transversal de prata" ou ao piano que ele mesmo construíra e que mantinha em sua sala de estar ao lado da foto de seis dos seus doze filhos, reunidos ao redor do pai que tocava aquele piano, tendo cada um, um instrumento diferente numa pequena orquestra doméstica em louvor a Deus.

O que víamos e ouvíamos daquele franzino homem era a experiência de alguém que foi modelado por Deus. Era sincero, transparente em suas idéias e em seu proceder, sabia de suas limitações e reconhecia falhas. Chorava abundantemente. Tratava o trabalho na igreja com grande respeito e àquela altura conquistara um intimidade com o Senhor tamanha que sempre saíamos de sua residência visitados! Íamos visitá-lo e erámos visitados! Que coisa! Minha esposa, minha mãe e todos os demais que comigo iam ou outros que de per si o visitavam, ansiavam por outra oportunidade para visitar irmão Yóthon.

Pois bem. Tal como o Yóthon luthier afinando, polindo, lixando, removendo nós e aplanando a madeira, Deus trabalhara naquele instrumento de tal maneira que agora emitia belíssimos e incomparáveis sons para Sua glória e para nossa edificação e experiência.

Há algumas semanas me ligou, voz fraquíssima, quase inaudível. Estava se despedindo e disse que não mais o veria em vida. Conversamos mais de uma hora e ele chorou, chorou muito quando contei experiências como a do hino "Calvário". Depois perguntou se de fato aquele caso e outros que contei haviam acontecido. Chorou mais ainda e derramou-se perante o Senhor e eu ouvia pelo telfone no escritório em meu trabalho. Foi emocionante.
Fui surpreendido com um recado por telefonema no últimos sábado, dia 20/06. Alguém ligara para informar o horário de sepultamento de um regente. Liguei para o amigo Davidson Monteiro, regente do coro da AD em Jardim São Paulo e ex-regente do coro da AD em Águas Compridas; Ele e outros regentes já estavam no cemitério. Apressei-me e me juntei a eles no Cemitério de Guadalupe (Olinda-PE);

Lá estavam os regentes Charles Bruno, Kleyber Santiago, Adonibézio e Davidson Monteiro (na foto acima, segurando o terno), amigos de Yóthon e sempre presentes nas visitas aos regentes enfermos e senis de nossa Igreja. A palavra do Senhor foi pregada por um presbítero que conhecia o irmão Yóthon. Foi uma mensagem inspirada e confortadora. Cantamos em quinteto o hino 36 da Harpa Cristã e havia um grupo de piedosas irmãs do último coral que ele regeu, o da AD em Peixinhos-Cohab. Amigos, ex-alunos e obviamente familiares prestaram uma última homengem ao maestro Yóthon.
Orei ao Senhor naquela tarde para que me ajudasse nesta vida a ser fiel e dedicado, apesar de todas as minhas grandes falhas, e por Sua misericórdia e graça, ser usado para abençoar outras vidas e também chegar diante do Trono do Altíssimo um dia, tendo corrido a carreira e guardado a fé.

2 comentários:

Anônimo disse...

Que a paz do Senhor esteja em teu coração, amigo e irmão,
Eu estou sabendo deste acontecido por tuas linhas...
Irei, neste momento, ligar para o meu pai, pois foi ele que subtituiu o irmão e maestro Yothon no Coral Vozes de Sião, de Abreu e Lima - Séde, e sempre meu pai nos falou de Yothon com muito carinho a admiração.
Realmente o Maestro Yothon foi um vaso de bençãos usado por Deus para o louvor na Casa do Senhor nosso Deus.
Que Deus o tenha em seus braços e que um dia possamos ter o direito de vê-lo e saudá-lo.
Fica neste santíssima paz, amado irmão em Cristo,

Talmon Luiz Barbosa

Breno Bonner Marinho disse...

vô..fikei pouco tempo com vc..pk ultima vez q eu o vi,eu ainda era de colo..no colo da sua filha Lêda Bonner Marinho da Costa.mais soub de seus acontecimentos..e bençãos para o povo de olinda!..você foi muitoo importante para minha mãe.pois você criou essa mulher..q ajuda varias pessoas aqui na cidade onde moramos..
vaii com DEUS vôÔ..q DEUS reconheça o trabalho q vc fez por ele..q foi muito grande..

vá em PAZZZZZZZZZZZ VÔÔ =/

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